E eu estava convicta de que cursando Psicologia, acabaria por escrever muito mais. Mas, apesar de a cada dia pensar numa nova ideia de texto para compartilhar com vocês, junto com o curso veio uma sensação de incompetência e receio em escrever. Porque aprendemos diariamente em sala de aula a diferença entre o senso comum e a Psicologia, que se baseia na ciência para ser o que é, e não em crenças cotidianas. Como eu atribuí ao nome do blog um sentido de Psicologia, pego-me com medo de passar uma ideia errada para vocês. Porque por mais que meu objetivo aqui seja o de trazer temas da disciplina, de uma forma mais clara e sucinta, ainda estou longe de ter o conhecimento científico e a neutralidade exigida ao papel de um profissional da área. Deu pra entender a complexidade da situação? Tenho muito mais assuntos pra abordar aqui, mas tenho medo de passar a mensagem errada do que é ser um psicólogo!

Não, não vou encerrar o blog por esse meu receio, mas logo vou mudar o texto da sua apresentação e quero escrever mais sobre o “processo de conhecer” da Psicologia, que vai infinitamente além do que o senso comum entende como “ser um bom ouvinte” e blá blá blá.

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Pra ficar um pouco mais claro, vou transcrever o trecho de um livro chamado “Psicologias”, que no seu início trata sobre esses dois conceitos – de senso comum e ciência, que é o único “processo de conhecer” da Psicologia.

“Existe um domínio da vida que pode ser entendido como vida por excelência: é o cotidiano. É no cotidiano que tudo flui, que as coisas acontecem, que nos sentimos vivos, que vivemos a realidade (…) Quando fazemos ciência, baseamo-nos na realidade cotidiana e pensamos sobre ela. Afastamo-nos dela para refletir e conhecer além de suas aparência. O cotidiano e o conhecimento científico que temos da realidade aproximam-se e se afastam. Aproximam-se porque a ciência se refere ao real; afastam-se porque a ciência abstrai a realidade para compreendê-la melhor, ou seja, a ciência afasta-se da realidade, transformando-a em objeto de investigação – o que permite a construção do conhecimento científico sobre o real.

(…)

Esse tipo de conhecimento que vamos acumulando em nosso cotidiano é chamado de senso comum. Sem esse conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros, a nossa vida diária seria muito complicada”.

Ambos os processos são importantes, afinal, eles funcionam como um complemento do outro, mas para se fazer Psicologia, há de se utilizar a ciência, que exige estudos e pesquisas e não uma montoeira de “achômetros”. Aquilo que a sua mãe, a sua amiga, dizem-lhes como uma forma de conselho, NADA tem a ver com Psicologia, porque ali não existe qualquer conhecimento científico. Elas não utilizam um método, não possuem uma corrente de pensamento, não fizeram pesquisas sobre o assunto e não mantém o distanciamento necessário entre o sujeito e o objeto, que no caso é o analisado.

psicologo

Isso não quer dizer que o que elas te digam esteja certo ou errado, apenas NÃO PODE SER CONFUNDIDO COM PSICOLOGIA.

Não vou entrar em detalhes, correntes de pensamentos, porque minha única intenção é deixar clara a diferença entre o que eu estou fazendo aqui e o que é a Psicologia em si. Lógico, que como uma estudante, vou procurar, ao trazer os temas, não fazer julgamentos ou críticas, dizer que existe uma maneira certa e outra errada de se enxergar a vida. Mas como mera estudante também, e pessoa ainda mais inserida no senso comum do que na ciência, não vou escapar de desviar dos caminhos científicos na análise dos fenômenos psicológicos.

Espero que tenha ficado claro o intuito desse meu post. Ele pode parecer sem sentido para quem não sabe do que eu estou falando, mas como posso ser lida por pessoas que estudam ou que são profissionais da Psicologia, queria muito fazer esse parênteses.

Logo eu volto com mais assuntos sobre o que o curso vem representando pra mim e os auto questionamentos que eu venho me fazendo nessas últimas semanas sobre o que é ser uma psicóloga.

beijos, Juliana Baron Pinheiro

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