Vamos Pensar?

Os intrusos – Tomando o controle da sua vida | Blog Psicologando

Esses dias, esbarrei numa pergunta, dessas que vem em mensagens compartilhadas mundo afora pelas redes sociais, que acho que resume o meu principal objetivo aqui do blog, que é convidar as pessoas a se auto analisaram com o intuito de descobrir quem são, além de tudo aquilo que disseram que elas são (ou não) ao londo das suas vidas.

Imaginei agora um professor da minha faculdade rindo dessa minha colocação, dessa ideia de pensar que podemos ser alguém imune às influências alheias. Ele sempre repete o quanto é impossível se alcançar essa suposta individualidade. Que somos um produto da junção de inúmeros determinantes, que a nossa escolha, por mais nossa que seja, está, automaticamente, cheia dos outros…

Mas mesmo assim, mesmo que essa individualidade seja utópica, vamos tentar, pelo menos, sair um pouco de nós mesmos para enxergar de fora, o quanto somos reflexo das expectativas e profecias alheias.

Pra variar, vou me usar como exemplo. Não que eu seja exemplo de nada, mas aprendi que só posso falar daquilo que eu sei e não há pessoa com a qual eu esteja mais ligada do que comigo mesma.

Desde que eu fiz o meu processo de coaching, em 2012, consegui identificar inúmeros valores e crenças que eu trouxe comigo durante a minha vida, achando era eram meus. Um desses valores era a questão financeira. Eu sempre achei que o meu maior objetivo ao escolher um campo profissional, era o de ganhar muito dinheiro e ser bem sucedida como juíza ou advogada. Me enchia de pompa só de repetir que eu estudava “Direito Tributário na PUC de São Paulo“. Hoje, logicamente, busco uma estabilidade financeira, o conforto, porque sei que gosto de coisas boas, mas juro que quando penso no profissional, primeiro, me vem a coisa da minha satisfação, de perceber que eu conquistei tudo o que eu sempre sonhei. E que o retorno financeiro, que já não tem mais o tamanho do que eu queria antes, virá como consequência de fazer aquilo que eu amo. Não que ter o dinheiro como um valor (meio) seja ruim, porque algumas pessoas nunca tiveram e o buscam por consequência. Mas esse não era o meu caso, então, eu não precisava carrega-lo comigo.

Também sempre escutei e por conseguinte, tinha a crença, de que eu não era focada, porque estava sempre trocando de objetivos, mudando de rumo ou não concluía uma atividade que tinha começado. Nossa, como essas colocações me doíam na alma. E elas acabavam me colocando num círculo vicioso, onde eu me odiava porque não sabia o que queria. Aprendi junto com a minha coach a perceber que na verdade, o que acontecia comigo é que ora eu fazia o que os outros queriam que eu fizesse, mas como não aguentava, ia fazer o que eu queria fazer, mas como eu também não aguentava a pressão, voltava a suprir as expectativas dos outros. E assim, sucessivamente. A questão é que como, confesso que não sabia EXATAMENTE o que eu buscava, permanecia por livre e espontânea vontade nesse jogo. Nessa montanha russa maluca que me fazia me sentir sempre infeliz. Quem conviveu comigo sabe como, vira e mexe, me dava umas crises de choro, de existência, que faziam com que eu não quisesse sair da cama. E pra piorar, como eu tinha tudo o que muitas pessoas querem, como boas condições financeiras, saúde, uma família linda, me sentia ainda mais infeliz e ingrata.

Então, apesar se eu saber que até as minhas escolha de hoje, ainda possuem a influência de toda uma cultura, de uma sociedade e até do meu próprio histórico, sinto como se elas externassem tudo o que eu quero de verdade da vida. Ok, não existe uma verdade absoluta nisso tudo, como diria meu outro querido professor, mas deixe que eu pense que exista. Deixemos as discussões teóricas para a sala de aula. O importante é que hoje eu sou MUITO feliz. Sim, felicidade também é um sentimento bem passível de infinitas discussões, mas o que explica o calor e a euforia que eu sinto só por estar escrevendo essas palavras? Nunca mais tive crises de choro (só naqueles dias), diminuí as minhas dúvidas (que hora são aquelas bem normais) e me sinto muito plena e satisfeita quando olho para o que eu me transformei, depois de toda aquela revisão e atualização de identidade.

Pensando sobre isso, enquanto organizava algumas fotos da minha lua de mel, encontrei essa foto abaixo e caí na gargalhada. Juro que serei compreensiva caso você não ache tão engraçado como eu. A foto foi tirada em Amsterdã e levou alguns minutos até que eu conseguisse tira-la na frente do dizer que significa “Eu Amsterdã” (mas eu preferi tirar só na parte do “I Am” ou “Eu sou“) sem que nenhuma outra pessoa aparecesse na foto, também.

Já entenderam a associação?

Quantas vezes, eu permiti que outros interferissem naquilo que eu sou? Nas minhas escolhas, metas, valores e crenças?

Mas tudo bem. Tanto na foto, como na vida, eu esperei com paciência. Fiz um pouco de cara feia, torci para que elas saíssem e esperei.

E consegui.

Beijos, Juliana Baron

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