Saúde Mental

Quando T.O.C. bate à sua porta

Esses dias vi um vídeo de um homem que tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C.) e confessou estar apaixonado por uma pessoa. Eu conhecia superficialmente sobre esse transtorno, mas depois que vi o vídeo, me senti constrangida por todas as vezes que brinquei com isso. O negócio é muito tenso. Postei o vídeo na página do Face, mas posto aqui de novo para aqueles que não viram:

Obsessões, de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM.IV , são ideias, pensamentos, impulsos ou imagens persistentes, geralmente intrusivas e inapropriadas, que causam ansiedade ou aflição. As obsessões mais comuns são pensamentos repetitivos sobre contaminação, dúvidas repetitivas, a necessidade de ter as coisas em uma ordem específica, impulsos agressivos, de horror ou imagens repetitivas de sexo. Os pensamentos, impulsos ou imagens não são simples pensamentos excessivos sobre problemas da vida real, na realidade, são incompatíveis com a vida real.

Procurando a respeito, encontrei um texto muito interessante e prático sobre T.O.C. no contexto de relacionamentos, chamado “Quando o T.O.C. atinge seu relacionamento” , no site PsychCentre, escrito por Annabella Hagen.

Voilà o texto traduzido:

“Chuck disse que ele não tinha certeza se amava sua noiva. Sim, algumas vezes ele dizia que queria passar o resto de sua vida com ela. Mas depois, as duvidas se tornavam constantes e ele achava que deveria terminar com o noivado. O casamento seria em duas semanas.

Ele já estava inserido nesse quadro de transtorno obsessivo-compulsivo desde que ele era adolescente. Ele aprendeu, erroneamente, a lidar com os sintomas através da racionalização e da neutralização de seus pensamentos, então ele achava que suas dúvidas sobre o noivado não teriam nada a ver com o T.O.C.

Experimentar nervosismo e ansiedade pode ser normal para esse marco tão importante no relacionamento. Então qual o problema? Pelo telefone ele me disse que sua família insistia que ele devia marcar um encontro comigo antes de tomar a decisão final. Ele disse que seria a terceira vez que ele desmarca um casamento. E não foi, graças à essa sessão em que ele percebeu que seu T.O.C. tinha se infiltrado no dilema presente.

Como saber se as dúvidas são legítimas e que vocês simplesmente não formam um bom casal? Pessoas terminam relacionamentos. Às vezes, encontramos a pessoa certa e somos capazes de continuar nossas vidas. Por outro lado, pessoas que lutam contra o T.O.C. sofrem com dúvidas e indecisões infinitas. Na maior parte das vezes, não se percebe que é o T.O.C. quem está ameaçando o relacionamento. Aqui vai uma lista dos maiores sinalizadores de que aquele transtorno está interferindo no relacionamento:

Intolerância e incerteza. Quando um indivíduo tem T.O.C., a pessoa não tolera ter nem uma mínima sombra de dúvida sobre um determinado assunto ou situação.

Pensamento polarizado. Quando eles começam a duvidar de seu próprio amor em relação à pessoa especial, eles começam a achar que o relacionamento não vai dar certo. Eles não suportam a ideia de tomar a decisão errada.

Pensamento obsessivo. Passam-se os dias e as noites e os indivíduos obcecados se eles amam ou não o companheiro. Talvez eles façam listas anotando os prós e contras. O resultado nunca é satisfatório. São obcecados em relação à qualidades como aparência, inteligência, personalidade, realizações, moralidade e habilidades sociais.

Procura pela reafirmação. A única maneira de se sentir bem – ao menos temporariamente – é procurando uma reafirmação por parte dos amigos, família ou de si mesmo. Procuram no passado boas memórias para sanar as dúvidas do presente. Talvez eles se sintam melhores até a próxima crise.

Comportamento atípico. Por um momento, eles não serão ciumentos, mas esse sentimento se arrasta para dentro de suas vidas. Eles podem questionar a fidelidade, lealdade e amor do (a) parceiro (a). Constantemente, seus questionamentos levam à irritação da pessoa amada. Frequentemente, eles percebem essa irritação como um sinal de que o relacionamento deve chegar ao fim.

Sentir-se capaz de controlar os pensamentos. A pessoa pode decidir que vai curtir a pessoa amada e vai suprimir qualquer dúvida inquietante que possa acabar com o momento. Se, por exemplo, um pensamento sobre o físico da pessoa aparece, ele vai olhar em outra direção e tentar esquecer esse pensamento. Pode ser que ele perceba uma outra pessoa “atrativa” passando, então ele olhará em outra direção. Eles não querem duvidar e comparar. Infortunadamente, a pessoa amada percebe a inquietação e pergunta se há algo errado. O obsessivo-compulsivo nega haver qualquer coisa errada, assumindo uma postura defensiva, o que pode gerar uma briga. Tentar controlar os pensamentos produz efeitos negativos.

Evitar. A pessoa tenta se afastar de situações ou pessoas que possam ser gatilhos que desencadeiam dúvidas sobre a pessoa amada. Eles podem concluir que a melhor maneira de diminuir as brigas e discussões é ficando em casa, longe de qualquer “gatilho”. A pessoa amada pode questionar seu posicionamento, gerando mais conflito.

Culpa. Provavelmente esse é sentimento que mais assola a vida dos que sofrem de T.O.C. Talvez eles digam pra si mesmo “Eu não deveria me sentir dessa maneira, não deveria pensar dessa maneira sobre minha pessoa amada. Isso é tão errado e tão ridículo!”. Ainda assim, suas dúvidas se sobrepõem tudo, tornando difícil o controle das compulsões. Eles apenas desejam ter um tempo sozinho para pensar sobre o relacionamento.

Se você sofre desses problemas, o que pode fazer?

  • Reveja sua história mental e emocional. Se você já sofreu de sintomas de T.O.C. no passado, é provável que seu relacionamento atual esteja sofrendo com suas obsessões e compulsões.
  • Se você nunca sofreu sintomas de T.O.C. e as obsessões e compulsões são atípicas, procure em sua família histórico de distúrbios de ansiedade. Pesquisas mostram que o T.O.C. pode ser uma predisposição genética e o stress pode desencadear os sintomas.
  • Reafirmações envolvendo sua pessoa amada são importantes para você. Você procura por reafirmações que qualquer um que daria a você. Infelizmente, isso é uma compulsão e só vai alimentar o T.O.C. Comece a limitar essas compulsões, um passo de cada vez.
  • Lembre-se de que você não pode controlar seus pensamentos. Pode até parecer que você consegue, mas você deve se lembrar que já tentou isso outras vezes e isso só dá brecha para mais obsessão e compulsão.
  • O que importa é o que fazemos com nosso pensamento. Reagir com pensamentos catastróficos ativa uma reação de estresse agudo. Tente mudar seu foco. Preste atenção em sua respiração e tente procurar em qual parte de seu corpo está essa tempestade interna. Fique assim durante alguns minutos. Perceba que você se sentirá mais confortável. Permaneça com esse sentimento. Mexa-se para frente e para trás devagar por mais ou menos 15 minutos. Faça isso todos os dias.
  • Veja seus relacionamentos anteriores – quantas vezes questionamentos parecidos permearam sua vida? Se há um padrão, não termine seu relacionamento até consultar um especialista em T.O.C.
  • Convide sua pessoa amada para ir em todas as sessões. Na terapia, você vai aprender ferramentas para aliviar os sintomas do T.O.C. Vocês dois aprenderão maneiras eficazes de se comunicar e como segurar momentos de crise no relacionamento.

Faça as tarefas e seja paciente. Há esperança!”

Fernanda 

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